O vírus da hepatite C (HCV), identificado pela primeira vez em 1989, é um membro da família Flaviviridae e tem um genoma com RNA de cadeia simples e polarização positiva, codificando 3 proteínas estruturais (Core, Envelope 1 e 2) e 7 não estruturais (p7, NS2, NS3, NS4A, NS4B, NS5A, NS5B). Foram identificados até a data 90 subtipos, classificados em 8 genótipos. Globalmente, o genótipo 1 é o mais comum, sendo responsável por 46 % de todas as infeções, seguido do genótipo 3 (22 %) e dos genótipos 2 e 4 (13 % cada). Estimou-se um total global de seroprevalência de anticorpos contra o HCV (indicadores de exposição anterior ao HCV) de 1,6 %, o que corresponde a, aproximadamente, 115 milhões de infeções passadas. Determinou-se que a prevalência de positividade para RNA do HCV indicadora de infeção ativa por HCV era de 1 %, o que corresponde a 71.1 milhões de infeções virais. 1.7 milhões de novas infeções ocorrem anualmente. A prevalência de infeção por HCV apresenta variações consideráveis em todo o mundo. As regiões mais afetadas são a Europa Oriental, o Norte de África e a Ásia Central, e a taxa de infeção mais elevada regista-se em países com um historial de infeções passadas ou presentes devido à atividade de um médico ou a terapêutica médica. A transmissão do HCV ocorre por exposição percutânea a sangue, produtos derivados de sangue ou órgãos provenientes de uma pessoa infetada. Nas regiões desenvolvidas onde existem programas de rastreio de dadores de sangue em funcionamento há vários anos, o principal meio de transmissão do HCV é através do consumo de droga por via intravenosa. Nas regiões menos desenvolvidas, a transmissão ocorre, principalmente, através de tratamento médico com equipamento não esterilizado ou sangue não analisado. A infeção por HCV pode dar origem a inflamações do fígado agudas e crônicas (hepatites). Aproximadamente 70?85 % das infeções por HCV evoluem para doença crônica, embora isto varie consoante o sexo, a idade, a etnia e o estado imunitário do paciente. Em caso de infeção aguda, o período de incubação médio é de 6?7 semanas e 70?85 % dos pacientes não apresentam sintomas. Os sintomas duram várias semanas até desaparecerem espontaneamente, o que ocorre em 15?30 % dos casos. Os pacientes que desenvolvem uma infeção crônica por HCV têm muito menos probabilidade de apresentar sintomas, mas podem desenvolver complicações a longo prazo. Se não forem tratados, 20 % dos pacientes desenvolvem cirrose hepática e uma parte evolui para carcinoma hepatocelular (HCC). Anualmente, 400.000 pessoas morrem em todo o mundo devido a infeção por HCV. Terapias avançadas e altamente eficazes de combinação de antivirais de ação direta (DAA) curam mais de 95 % dos pacientes tratados. A infeção por HCV pode ser detectada medindo a alanina aminotransferase (ALT), imunoglobulinas específicas do HCV (anti?HCV), RNA do HCV e/ou antígenos virais em amostras de soro ou plasma de pacientes. Isto pode ainda indicar se a infeção é aguda ou crônica. As diretrizes internacionais recomendam o rastreio inicial através de teste anti?HCV. Recomenda-se que um resultado positivo seja seguido de medição do antígeno ou do RNA do HCV como marcadores de infeção ativa. O ensaio HCV antígeno/anticorpo é composto por 2 módulos de teste, que utilizam peptídeos e antígenos recombinantes que representam as proteínas Core, NS3 e NS4 para a deteção de anticorpos anti?HCV, e anticorpos monoclonais para a deteção do antígeno do Core do HCV, respetivamente. Com esse ensaio, é possível detectar simultaneamente o antígeno do Core do HCV e os anticorpos para o HCV a partir de uma única amostra em 2 reações separadas, mas paralelas.