A lipase ácida lisossomal (LAL) é uma enzima existente no interior do lisossomo, responsável pela hidrólise dos ésteres de colesterol e triglicéridos, desempenhando um papel fundamental no metabolismo lipídico. A produção desta enzima é controlada pelo gene LIPA, localizada no cromossomo 10.
Alterações patogénicas (mutações) no gene LIPA, podem levar à ausência ou à diminuição da atividade da lipase ácida lisossomal levando a um acúmulo de gordura nos tecidos e órgãos.
A deficiência de LAL (D-LAL) é uma doença autossômica recessiva, que apresenta dois fenótipos distintos : a Doença de Wolman e a Doença de Depósito de Ésteres de Colesterol (DDEC).
Na Doença de Wolman a atividade da LAL é quase nula e os sintomas aparecem logo nas primeiras semanas de vida, quando o bebê neonato passa a apresentar distensão abdominal, hepatoesplenomegalia, ascite, má absorção intestinal com diarreia, calcificação adrenal ou atraso do crescimento. A expectativa de vida de bebês não tratados é de até 6 meses.
A DDEC, é uma deficiência enzimática parcial, e os sinais e sintomas variam muito: podem ocorrer hepatoesplenomegalia, baixos níveis de HDL, vômito, diarreia e problemas de crescimento. Os sinais clínicos são colesterol LDL e triglicerídeos aumentados, aterosclerose e problemas cardiovasculares, doença hepática progressiva, podendo apresentar esteatose, fibrose e cirrose.