Material
COLÔNIA ISOLADA
Meio(s) de Coleta
Swab com meio de transporte em gel: Stuart, Amies ou Cary Blair.
CARBFL - PESQUISA DE CARBAPENEMASES POR IMUNOCROMATOGRAFIA DE FLUXO LATERAL
Material
COLÔNIA ISOLADA
Meio(s) de Coleta
Swab com meio de transporte em gel: Stuart, Amies ou Cary Blair.
Prazo
3 dias úteis
Realização
Segunda a sexta-feira
Volume Mínimo
Não aplicável
Método
IMUNOCROMATOGRAFIA DE FLUXO LATERAL
Preparo: Realizar um repique da cepa em meio de cultura apropriado. Transferir para o swab com meio de transporte em gel a colônia isolada a partir de crescimento recente entre 18 e 24 horas.
Coleta CARBFL: 1. Com o swab, proceder com a coleta das colônias diretamente do meio de cultura. 2. A cepa deve estar pura e com 18 a 24 horas de crescimento. Evitar a coleta a partir de placas de cultura primária, pois essas podem ter a presença de microrganismos contaminantes. 3. Coletar uma rica porção do crescimento, girando o swab pelas colônias de modo que toda a ponta seja recoberta por material. 4. Colocar o swab dentro do meio de transporte com cuidado, evitando que encoste nas paredes do tubo e inserir o até que a tampa encaixe e a ponta esteja imersa no meio de transporte em gel. 5. Podem ser utilizados meios Stuart, Cary Blair e Amies com ou sem carvão.
Transportar em temperatura ambiente.
A amostra é estável por 48 horas em temperatura ambiente.
Rejeição CARBFL: Amostras recebidas diferente das condições solicitadas em guia. 1. Amostras fora da temperatura preconizada. 2. Amostras com problemas de identificação. 3. Amostras acondicionadas em swab com meio de transporte vencido. 4. Amostras acondicionadas em swab com data de validade rasurada ou obstruída. 5. Amostras duplicadas sem solicitação de novo pedido. 6. Amostras recebidas em meio de transporte diferente do recomendado. 7. Amostras contendo crescimento para mais de um microrganismo. 8. Amostras com desenvolvimento de microrganismos não aplicáveis para o teste. 9. Swab seco e sem meio de transporte. 10. Amostras com o material coletado acondicionado fora do meio de transporte. 11. Amostras com ausência do swab de coleta dentro do meio de transporte. 12. Amostras recebidas em placa semeada.
Interpretação
A resistência antimicrobiana constitui um dos maiores desafios da saúde pública no século XXI, sendo reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais ameaças à saúde global. O aumento da disseminação de bactérias multirresistentes compromete a eficácia dos tratamentos disponíveis, favorecendo a ocorrência de infecções de difícil manejo, prolongamento do tempo de internação, elevação dos custos hospitalares e aumento da morbimortalidade associada às infecções bacterianas. Entre os diversos mecanismos de resistência descritos, a produção de ?-lactamases representa um dos mais importantes. Essas enzimas são capazes de hidrolisar antibióticos ?-lactâmicos, impedindo sua ação sobre a parede celular bacteriana. Dentre elas, destacam-se as carbapenemases, enzimas com capacidade de inativar carbapenêmicos, considerados antimicrobianos de última linha para o tratamento de infecções causadas por bacilos Gram-negativos multirresistentes. A presença dessas enzimas está frequentemente associada à resistência a múltiplas classes de antimicrobianos, limitando significativamente as opções terapêuticas disponíveis. As carbapenemases são classificadas de acordo com a classificação molecular de Ambler, baseada na estrutura da enzima e em seu mecanismo catalítico. As principais carbapenemases de importância clínica pertencem às classes A, B e D: Classe A: representada principalmente pela KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase), uma serino-carbapenemase amplamente disseminada em enterobactérias e considerada uma das principais responsáveis pela resistência aos carbapenêmicos em âmbito hospitalar. Classe B (metalo-?-lactamases): engloba enzimas dependentes de zinco para sua atividade catalítica, incluindo NDM (New Delhi metallo-?-lactamase), VIM (Verona Integron-encoded Metallo-?-lactamase) e IMP (Imipenemase). Essas enzimas apresentam elevado potencial de disseminação horizontal por meio de elementos genéticos móveis e são capazes de hidrolisar a maioria dos ?-lactâmicos disponíveis. Classe D: representada principalmente pelas carbapenemases do grupo OXA-48-like, que possuem atividade hidrolítica variável contra carbapenêmicos e frequentemente apresentam perfis fenotípicos que dificultam sua detecção por métodos convencionais. A carbapenemase KPC permanece como a enzima mais frequentemente associada a surtos hospitalares em diversos países, sobretudo em isolados de Klebsiella pneumoniae e outras enterobactérias. Por sua vez, a NDM destaca-se pelo elevado potencial de disseminação global e pela frequente associação a plasmídeos que carregam múltiplos determinantes de resistência, sua presença tem crescido de maneira notável no Brasil após o cenário da pandemia de COVID-19. As enzimas VIM e IMP, apesar de menos prevalentes possuem ampla distribuição geográfica e são frequentemente identificadas em Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp. e enterobactérias. Já as enzimas do tipo OXA-48-like apresentam crescente importância epidemiológica devido à sua rápida disseminação e à possibilidade de permanecerem subdetectadas em determinados perfis fenotípicos. A imunocromatografia de fluxo lateral constitui uma metodologia rápida, sensível e altamente específica para a detecção de carbapenemases a partir de microrganismos previamente isolados em cultura. O método baseia-se na interação antígeno-anticorpo e permite a identificação das principais carbapenemases em poucos minutos, fornecendo informações valiosas para o manejo clínico do paciente e para a implementação precoce de medidas de controle epidemiológico. O exame CARBFL possibilita a detecção simultânea das principais carbapenemases de relevância clínica e epidemiológica atualmente descritas: KPC, NDM, IMP, VIM e OXA-48. O resultado será considerado positivo quando houver detecção de uma ou mais carbapenemases contempladas pelo teste. A não detecção das carbapenemases pesquisadas será reportada como resultado negativo. Entretanto, esse resultado não exclui a possibilidade de resistência aos carbapenêmicos mediada por mecanismos não enzimáticos. Além disso, não se pode descartar a presença de carbapenemases raras, emergentes, variantes ou mutantes que não sejam reconhecidas pelo kit utilizado. A interpretação do resultado deve ser realizada em conjunto com o perfil fenotípico de sensibilidade antimicrobiana, os achados microbiológicos e o contexto clínico-epidemiológico do paciente.