A análise de metanol em plasma possui grande relevância clínica no diagnóstico e no acompanhamento de intoxicações, especialmente em contextos de ingestão acidental, ingestão intencional ou consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. Casos de contaminação por metanol em bebidas alcoólicas, frequentemente associados à produção clandestina, podem levar a quadros graves de toxicidade e já foram descritos em diferentes países.
Após a absorção, o metanol é metabolizado no fígado a formaldeído e, posteriormente, a ácido fórmico, substância altamente tóxica responsável por acidose metabólica com aumento do hiato aniônico e lesão do nervo óptico. Os sintomas iniciais podem incluir cefaleia, tontura, náuseas, vômitos e dor abdominal, podendo evoluir para alterações visuais, como visão turva, escotomas e fotofobia. Em casos graves, podem ocorrer rebaixamento do nível de consciência, convulsões, coma e insuficiência respiratória.
A quantificação laboratorial do metanol plasmático é essencial para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade da intoxicação, orientar a conduta terapêutica com antídotos, como etanol ou fomepizol, e monitorar a resposta ao tratamento, incluindo a indicação e a eficácia da hemodiálise.